quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O meu mai velho!

Agora em relação ao meu mai velho. Passou um mau bocado este ano. Um ou mais maus bocados, mas houve um que de facto bateu tudo.

Lembram-se disto ? Quando foi operado aos 8 meses por ter um Quisto Aracnoideu? Pois voltou...

Após ter sido operado aos 8 meses, tinha consultas de rotina, se é que podemos chamar a ressonâncias magnéticas de consultas de rotina, para verificar como se encontrava a evolução do Quisto. Primeiro, ao fim de 6 meses, depois outros 6, depois passou para 1 ano, depois outro, e no ano passado....a última ressonância veio a mostrar que o Quisto voltou a crescer.

Isto porque a cirurgia que o Guilherme esteve sujeito, não teve como objectivo final retirar por completo o Quisto. Trata-se de uma situação impossível de fazer porque o "saco" do quisto é constituído por nervos e células e veias sanguíneas que estão directamente ligadas ao cérebro. Ou seja, imaginem dois sacos encostados um ao outro. Um saco é o cérebro, o outro é o quisto. Na zona onde estão encostados os sacos, estão nervos ligados entre eles, e portanto retirando o saco Quisto, teria de ser obrigado a cortar esses nervos o que poderia ser fatal ou destruir algum sistema essencial para a independência do menino.

Para esta situação, o médico tinha duas soluções:
  1. Craniotomia & Fenestração - Que consiste em fazer vários (vários mesmo) furinhos no saco do quisto, para que o líquido se espalhasse à volta do cérebro, uma vez que o líquido não é maligno;
  2. DCP derivação cisto peritoneal - Que consiste em implantar uma válvula no pescoço, por baixo da pele, ligada ao Quisto e com um tubo que vai até à barriga também por baixo da pele;

Ambas têm as suas vantagens e desvantagens, o nosso médico deixou-nos completamente à vontade para analisar, pedir segundas e terceiras opiniões e concluirmos qual seria a melhor solução.

Optámos pela primeira, uma vez que a segunda faria com que o nosso menino ficasse com um objecto estranho agarrado ao corpo para o resto da vida, e porque, segundo o médico, até ali, todas as cirurgias que fez com a primeira opção correram bem e nunca teve necessidade de voltar a operar.


Pois bem, assim foi e inacreditavelmente o saco fechou, coisa que nunca tinha acontecido com este cirurgião, mas que já aconteceu N vezes a outros cirurgiões, inclusive lá fora. Ao fechar, começou novamente a crescer e a empurrar novamente o cérebro para o lado. Fechou porque o Guilherme tem uma capacidade de cura de feridas rápida, e da mesma maneira que fecha rapidamente feridas, fechou também o quisto.

Só nos restou a solução de implementar a válvula, e lá teve que ser. A cirurgia ocorreu em Maio/Junho deste ano, ou seja, 4 anos depois da outra, correu bem e agora pode fazer uma vida normal com excepção de não poder fazer desporto que envolva bater com a cabeça, devido a ter a válvula, isto é, jogos com bola, lutas e pouco mais. Felizmente pode continuar na natação e existem muitos outros desportos que pode experimentar.

Neste momento, quando o cabelo está um pouco maior, não se nota nada, mas se tocarmos no pescoço conseguimos sentir a válvula, e o tubo para já, nota-se na barriga e no peito, mas terá tendência para ficar escondido com o crescimento da criança.

Agora, é continuar com consultas de rotina (TACs em vez de ressonâncias) e esperar que não volte a acontecer nada.

Esperemos que assim seja.

Mais uma vez, se alguém tiver numa situação parecida, estão à vontade para nos fazer questões, como já aconteceu 2 ou 3 vezes. Naquilo que pudermos ajudar a esclarecer, estamos disponíveis.

Até à próxima!
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