quinta-feira, 26 de julho de 2012

Comprar ou Alugar casa, eis a questão

Calma,
não estou a pensar em mudar-me, mas considerei este tema deveras interessante, isto porque tenho lido nalguns blogues por causa da crise, opiniões do género "felizmente estou numa casa arrendada, por isso nem sequer tenho dívidas com créditos de habitação".

Felizmente? Mas estamos onde? Nos Estados Unidos? É que lá é que se conseguem casas alugadas com valores baixos. Lá e talvez noutros países da Europa, mas não em Portugal.

Mas pronto, cada um faz o que quiser à sua vida com o seu dinheiro, se preferem ficar numa casa alugada, que fiquem, mas vou deixar aqui a minha opinião sobre este tema (até porque o blog é meu :)  ).

Em Portugal, na maioria das vezes, o preço de aluguer de uma casa é muito parecido com o valor de uma prestação de crédito habitação. Talvez com muita sorte, consegue-se um valor 30% mais baixo que um crédito. Esse é um dos principais motivos pelo qual quase toda a gente prefere comprar casa. Porque sabe-se que ao fim de X anos, a casa é nossa, enquanto que a arrendada nunca será nossa.

Quem prefere ficar numa arrendada dirá, "ah e tal, e qual é o problema de nunca ser nossa?", "ah e tal, numa arrendada posso mudar-me com frequência, já numa comprada não".

Pois, numa comprada podemos continuar a mudar de casa sim, talvez com um pouco mais de dificuldade porque temos de conseguir vender a actual primeiro, mas acabamos por conseguir. Além de que o crédito continua a ser pago e a nossa dívida do crédito, em média continua a descer.

O problema de uma arrendada nunca ser nossa está cada vez mais perto de nós. Isto porquê? Dou-vos já um exemplo:

Na geração dos nossos pais, 99% das pessoas preferiram comprar casa com os créditos a 20 anos, e nesta altura já todos esses nossos pais têm a casa paga. Isso significa que o único encargo que têm com a casa será o IMI. Com a miséria de reforma que recebem, imaginem se ainda tivessem de pagar uma renda da casa...seria bonito seria.

Agora, e em relação a nós e à nossa geração, onde já dizem que para quem chegar à idade da reforma, o estado não vai conseguir pagar por não ter dinheiro, ou com sorte recebemos uma parte muito ínfima do que estaremos à espera agora, se lá chegarmos onde é que vamos buscar o dinheiro para viver?

Bom, quem comprou casa, nessa altura já não deve ter esse encargo (já os que alugaram, vão continuar com esse problema), mas e os outros bens necessários para a nossa existência? Comida, vestuário, etc. Vamos buscar onde? Às nossas poupanças? Por mais forretas que possamos vir a ser, duvído que consigamos poupar assim tanto.

Ah, espera, os nossos pais compraram casa, hummm então quando chegarmos à idade da reforma, para quem tiver ainda os pais eles podem vir viver connosco e nós vendemos essa casa e assim já conseguimos superar as nossas dificuldades. Já os pais que optaram por não comprar casa, os filhos (que somos nós) estão completamente lixados com F.

Este é o principal motivo pelo qual nos temos de guiar. É preferível comprar casa do que alugar. Além do valor ser muito idêntico, se lá chegarmos quando nos reformarmos, não teremos este encargo, e até que poderemos ter ainda casas dos pais ou avós que possamos vender para continuar a ter a vida que tínhamos antes de nos reformarmos.

Muitos portugueses estão a esquecer-se deste pormenor, se não fossem as heranças quando chegarmos à reforma, estaríamos com uma mão à frente e outra atrás. Queremos alterar isso aos nossos filhos/netos? Eu não, Eu quero manter a casa comprada para que se os meus filhotes chegarem à reforma e o governo disser "desculpem lá, mas não há guita para vos pagar a reforma", eles possam dizer "felizmente o meu pai comprou casa, posso vender e ir vivendo do valor ou dos juros desse valor".

Para quem prefere alugar, pense nisto.
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